quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Alô papai!

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Por Mônica Caluete

Quando se trata de educar os filhos, costuma-se escrever, falar e imputar responsabilidades, praticamente exclusivas, ao papel de mãe. Certamente mais um fruto da cultura machista!

Nessa realidade, culpabiliza-se a mãe e exila-se o pai no processo de educação dos filhos.

É verdade que essa cultura vem, pouco a pouco, sendo transformada.E é para esses novos pais que dedico essa reflexão.

Não existem fórmulas para jogar o papel de pai na vida - tanto quanto o papel de mãe. E as idealizações não logram bons resultados. Porém, só o fato de tentar se envolver já é uma clara mensagem de amor.

Comecemos por lembrar que a paternidade é algo mais que a possibilidade de ser fértil e ter capacidade de procriar!

É preciso assumir a responsabilidade primaria do amor pela criança e ir mais além. Necessita-se superar os papeis estereotipados, estabelecidos ao longo da história.Superar no sentido de explorar, conhecer e aceitar as exigências próprias do tempo atual,as demandas, as características e os “tempos” de cada filho em particular.

Quem disse que era uma tarefa fácil esta de ser pai?

Aprender e participar do ofício pode ser reconfortante para o homem que deseja ser pai. Ninguém nos obriga ou exige que sejamos pais. A paternidade é uma eleição e um compromisso; ainda que tenha sido fruto de uma irresponsabilidade.

Crescemos escutando que o pai é a lei, a autoridade, o limite,a moralidade, o provedor do lar.Às mães cabem, além do seio-alimento-afeto, a sensibilidade, o compromisso o estímulo, o apego e os vínculos.

Estabelece-se o duelo de sempre: masculino versus feminino. Uma dicotomia que se rompe quando entendemos que já passou de moda a “guerra dos sexos” e, que o quê precisamos buscar é a integração, para alcançarmos o melhor modelo de pais que se possa ter.

Vamos tentar articular as distintas teorias psicológicas. Apesar de cada qual ter seu foco em aspecto em particular, todas coincidem sobre a relevância do vinculo pai-filho!

As últimas investigações realizadas em torno do laço paterno, certificam que já nem todos os olhos estão exclusivamente voltados para o benefício seguro do apego mãe – filho. Os novos resultados assinalam, entre outra coisas, que “o pai tem as mesmas capacidades para criar um filho que uma mãe”; Que as crianças com pais altamente comprometidos se caracterizam por uma maior capacidade cognitiva, maior empatia,crenças sexuais menos estereotipadas e melhor capacidade de auto controle. Enfim, “quem maior contato teve com a figura paterna, maximizou suas capacidades e chegaram a atingir patamares mais elevados de competência.”

Os bebês que desde os primeiros meses de gestação gozam da influência paterna positiva, conseguem desenvolver maior autonomia e independência e manter laços significativos ao longo de sua vida.

O psiquiatra infantil James Herzog crê que a primeira seqüela que um pai ausente pode gerar em seus filhos, meninos ou meninas,é a dificuldade de controlar os níveis de agressividade.Segundo o autor, professor da Universidade Harvard, quem não teve um vinculo paterno seguro muito provavelmente não pode orientar suas pulsões e energia em torno de condutas produtivas e saudáveis. Neste sentido, os meninos tornam-se pessoas duras, rígidas e violentas.Enquanto as meninas passam a canalizar sua raiva de maneira auto destrutiva.

Muitos casos de adições, violência, delinqüência e outras condutas anti-sociais extremas têm fundamento nessa falta paterna.

Herzog defende também que uma das conseqüências desse pai ausente é o manejo com a própria sexualidade e os sentimentos sexuais. Aqui novamente difere as conseqüências para meninos e meninas. Os meninos que sofrem essa ausência tendem a desenvolver, mais tarde, fantasias homoeróticas.QUE É DIFERENTE DE SER HOMOSSEXUAL.Quanto maior for “a fome de pai”, maior é a possibilidade de encantamento e desejo por um mentor, treinador, professor, amigo próximo. E maior também é a possibilidade de sexualizar esses sentimentos. No caso das meninas, esta “fome” pode conduzir a um incremento no número de parceiros sexuais, porém com muito menos grau de satisfação.

Seria injusto deixar de reconhecer o trabalho de muitas mulheres que são única referencia em tantos lares mono parentais, típicos desses tempos.Acredita-se que tendo internalizado pai simbólico, representante das leis culturais, é possível alcançar sucesso no estabelecimento do necessário limite entre elas e seus filhos.

Mesmo na ausência do pai, é importante preservar a figura, lembrança, seja em caso de morte, de doença ou falta de habilitação para exercer seu papel. E evitar desqualificações diante dos filhos, mesmo que esse pai não possa ou não saiba cumprir sua responsabilidade e compromisso.

Os pais deveriam evitar expor seus filhos aos conflitos e duelos do mundo dos adultos.

Assim como herdamos as idéias e emoções dos nossos pais, também recebemos legados sobre estilo e formas particulares de vincularmo-nos e comunicarmo-nos com os outros. É tarefa do filho definir e aceitar seu pai, para poder eleger, reciclar ou descartar o modelo que se tenha herdado.

É importante saber que nosso cérebro e nossa vida podem ser flexíveis, tanto quanto desejarmos. Nesse sentido, devo destacar que mesmo que as carência ou ausências (materna ou paterna) possam ser determinantes, as experiências de vida nos ajudam a resignificar e decidir o que queremos ou necessitamos para nosso projeto de vida.

terça-feira, 5 de julho de 2011

É na terapia que a gente se entende

Por Cinthya Leite
Publicado na Revista JC em 02.01.2011

Cada uma com suas peculiaridades, psicanálise, psicodrama, bioenergética e psicoterapia cognitivo-comportamental são algumas das abordagens disponíveis para quem busca bem-estar

Nem sempre conseguimos lidar sozinhos com as nossas angústias, os nossos medos e até as verdades que nos circundam. O ano-bom que se inicia é uma boa oportunidade de abraçarmos uma reviravolta para alcançarmos o desejo de mudar interiormente. Se existem dificuldades para superarmos conflitos ou aprimorarmos o autoconhecimento, vale muito a pena recorrer a especialistas capazes de aliviar o sofrimento, a amargura, a ansiedade e vários outros sentimentos que desequilibram o bem-estar.
Um terapeuta também pode estender a mão a quem deseja apenas se conhecer melhor. Pessoas que têm dificuldades em ser assertivas, por exemplo, podem se transformar quando passam por sessões que mais parecem um bate-papo informal. Bom é que, cada vez mais isentas de cerimônias, essas conversas que oferecem equilíbrio afetivo conquistam pessoas de várias faixas etárias.

Talvez tanto desembaraço tenha sido fundamental para quebrar o gelo entre o terapeuta e o paciente. Diante desse cenário, é uma verdade dizer que o universo terapêutico está tão moderno e flexível que até mesmo o divã não é mais regra num consultório de psicanálise, a forma mais antiga de psicoterapia e desenvolvida por Freud nos primeiros anos do século 20.

“Há correntes que não são mais tradicionais ao extremo, embora continuem a valorizar a referência teórica deixada por Freud. Atualmente, há sessões baseadas numa abordagem que sofre variações de postura. E por isso, passamos a ter uma atitude mais ativa no contato com o paciente”, explica a psicóloga e psicanalista Maria Helena de Barros e Silva, do Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem (CPPL).

De acordo com ela, qualquer tipo de terapia atuará na esfera emocional do indivíduo e analisará todos os aspectos que constituem os hábitos, a criação, a família, os aspectos sociais e a história de vida do paciente. “A nova psicoterapia psicanalítica não precisa, necessariamente, auxiliar quem passa por um momento de crise. É direcionada também às pessoas que desejam se conhecer melhor e pretendem mudar a forma de agir socialmente”, informa Maria Helena, que pede para abrirmos sempre os olhos diante da maneira como conduzimos nossas vidas. “Geralmente, a causa dos vários problemas está na forma como decidimos fazer parte do mundo.”

No CPPL, vale frisar, há o serviço de psicoterapia intensiva, caracterizado por abordagens terapêuticas pensadas e pesquisadas especificamente para crianças, adolescentes e suas famílias em grave sofrimento psíquico. “Trata-se de uma atuação interdisciplinar, que observa o paciente como um todo”, diz Maria Helena. Embora o foco desse tipo de terapia seja a geração infantojuvenil que passa por situações difíceis, os adultos que enfrentam condições obscuras também podem recorrer à psicoterapia intensiva, cujas sessões podem ser individuais ou grupais.

Em linhas gerais, todos os caminhos que permeiam a psicoterapia são indicados a quem deseja atingir um autoconhecimento ou àqueles que pretendem controlar transtornos mentais (também chamados, pelos especialistas, de psicopatologias) que têm como origem a ansiedade. A lista é imensa: depressão, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), estresse pós-traumático, transtorno afetivo bipolar, distúrbios alimentares, síndrome do pânico e outras fobias que podem ser controladas com os diversos tipos de terapias.

“O que marca a singularidade da psicanálise e da psicoterapia psicanalítica é o trabalho voltado para a causa dos sintomas, e não apenas para a remoção deles”, salienta o médico psicoterapeuta Dival Cantarelli. “Depressão, pânico, fobias, TOC e estresse são as mesmas neuroses teorizadas por Freud. Atualmente, contudo, essas psicopatologias estão manifestadas com uma embalagem contemporânea e, muitas vezes, diluída no campo social”, diz.

Assim como Maria Helena de Barros e Silva, ele sublinha que a psicanálise tem se atualizado em relação à detecção desses sintomas e distúrbios contemporâneos, sem perder de vista os fenômenos inconscientes. “Um psicanalista criativo e competente saberá ofertar ajuda para resolver uma situação atual aguda que necessita ser tratada com acolhimento”, ressalta Dival.

Segundo ele, é mito a ideia de que o benefício obtido através dessa terapêutica é percebido apenas a longo prazo. “Trata-se de um exercício clínico dinâmico e vivo.” Sobre a psicanálise atual, Dival é claro ao alegar que a ortodoxia cede lugar a um exercício clínico atualizado pelo desejo de se encontrar um alívio para o sofrimento psíquico num curto espaço de tempo.

ALTERNATIVA

Todas as psicopatologias já citadas anteriormente também podem ser trabalhadas através das técnicas da psicoterapia cognitivo-comportamental (PCC), que surgiu na década de 70 no Brasil, embora só tenha sido difundida nos anos 80. “Trata-se de uma abordagem terapêutica que ajuda o paciente a desenvolver uma coerência adequada entre seus sentimentos, pensamentos e comportamentos”, diz a psicóloga clínica Beneria Yace Donato.

A mira da PCC também é o sistema de crenças do paciente. Nesse sentido, o papel do especialista é promover uma reestruturação cognitiva. Na prática, uma pessoa que convive com o TOC é treinada a enfrentar obsessões sem realizar compulsões. Traduzindo: normalmente, ao chegar em casa, um indivíduo lava as mãos antes de sentar à mesa. Quem tem TOC lava as mãos várias e várias vezes para aliviar uma ideia irreal de que poderá se contaminar se não fizer a higiene de maneira compulsiva. Ao seguir os princípios da PCC, essa pessoa se empenha para enfrentar o imaginário sem praticar as repetições.

É um trabalho capaz de produzir um bom efeito, segundo Beneria, que atua nessa linha terapêutica há 15 anos. “As sessões são estruturadas, organizadas e dinâmicas. Pode ser necessária a utilização de instrumentos, anotações e preenchimentos de registros. Em alguns casos, o atendimento é realizado até fora do consultório”, informa Beneria. Pois é, a PCC também toma corpo além das quatro paredes da clínica. Através desse procedimento, o especialista consegue visualizar e analisar melhor as dificuldades do paciente no dia a dia.

Outro tipo de abordagem psicoterapêutica que faz uma avaliação do indivíduo sem se limitar ao divã é o psicodrama, que se sustenta em três pilares teóricos: a sociologia, a psicologia e o teatro. É o que garante a psicóloga e psicodramatista Mônica Caluete, diretora pedagógica e científica do Centro de Psicodrama e Sociodrama (CepsBrasil). De acordo com ela, a proposta dessa terapêutica é tratar os problemas no contexto em que eles acontecem.

PSICODRAMA

“Todos nós pertencemos a grupos e, dentro deles, podemos nos formar e nos deformar. Então, no momento de tratarmos as dificuldades, aproveitamos esse contexto para transformarmos doença em saúde”, fundamenta Mônica. Sobre o âmbito de ação do psicodrama, ela garante que é ilimitado, sem exigência de talentos ou capacidade específica dos participantes.

As sessões, segundo a especialista, podem ser realizadas em consultórios em que há espaço delimitado para o “palco” e materiais de cena como tecidos, máscaras e fantoches. “As indicações dessa abordagem terapêutica são variadas. Procuramos trabalhar com o potencial saudável do indivíduo e ajudar na promoção do encontro consigo e com os outros”, salienta Mônica.

Tão dinâmica quanto o psicodrama é a análise bioenergética, outro método que aposta em técnicas de intervenção corporal como forma de pôr em vigor a autoconsciência, o autodomínio e a autoexpressão. “Não trabalhamos apenas o conteúdo verbal trazido pelo paciente, mas também fazemos uma leitura corporal”, afirma a psicoterapeuta Grace Wanderley de Barros Correia, do Libertas.

No livro O corpo fala, conhecido por inúmeras gerações, já bem mostram os autores Roland Tompakow e Pierre Weil que é imenso o valor da comunicação não verbal. A partir desses princípios, aparecem expressões, gestos e atos corporais que revelam sentimentos, concepções e posicionamentos internos. Nessa linha, Grace dá ênfase à ideia de que o corpo dá muitos sinais importantes que ajudam o processo de escuta analítica. “Diante de uma situação de medo, por exemplo, passamos a ter uma respiração diminuída. Ao trabalharmos esses temores, é possível melhorar a inspiração e a expiração”, garante.

A propósito, embora as abordagens terapêuticas tenham traços peculiares, todas têm potenciais aceitos cientificamente para ajudar o ser humano a resgatar a autorregulação do organismo e a integração dos aspectos físicos, psíquicos e emocionais. Afinal, todos nós precisamos de equilíbrio entre corpo e mente para lidarmos sem neurose com nossas inquietudes. Como um terapeuta pode dar uma mãozinha na montagem de qualquer quebra-cabeça, não vamos adiar a procura pelo profissional que mais combina com a nossa personalidade e os nossos anseios. Com assistência terapêutica, é possível aproveitar o novo ano com mais determinação.

Revival: especialistas pontuam fatores de peso na decisão de casais em se dar nova chance

Por MÔNICA MELO
fonte: Folha de Pernambuco Digital

Viagens, de­cla­ra­ções, pla­nos, pre­sen­tes, cham­pa­nhe e flo­res. Seria esta, tal­vez, a con­for­ma­ção mais pró­xi­ma ao fa­mi­ge­ra­do “mar de rosas”. O que dizer, então, quan­do a tur­bu­lên­cia chega para um ao ouvir o com­pa­nhei­ro dar o ve­re­dic­to: “basta, não dá mais!”? Sob uma pers­pec­ti­va fria, resta, sim­ples­men­te, con­for­mar-se com o hiato de­fi­ni­ti­vo. Um qua­dro, pro­va­vel­men­te, mais com­ple­xo surge quan­do a pos­si­bi­li­da­de da volta exis­te. Especialistas des­do­bram, aqui, as con­di­ções bá­si­cas às quais os par­cei­ros devem ficar aten­tos ao se dis­po­rem ao re­vi­val.

A mé­di­ca Daniela Ferraz e o pu­bli­ci­tá­rio Thiago Almeida estão jun­tos há oito anos. Trajetória que in­clui uma la­cu­na de três meses de se­pa­ra­ção. Necessária, se­gun­do Daniela, para que o casal re­vis­se al­gu­mas ati­tu­des, como a pro­gra­ma­ção, na ro­ti­na an­ti­ga, de ho­rá­rios para se ligar ou se en­con­trar. “Hoje não exis­te tanta co­bran­ça, vol­ta­mos mais cúm­pli­ces, to­le­ran­tes, vimos o valor do que já havia sido cons­truí­do”, sin­te­ti­za a mé­di­ca. Já a uni­ver­si­tá­ria Karla Souza viveu um re­la­cio­na­men­to de idas e vin­das, ao longo de qua­tro anos. As ten­ta­ti­vas não foram su­fi­cien­tes, diz ela, para que o ex-par­cei­ro am­plias­se ho­ri­zon­tes pro­fis­sio­nais ou de­mons­tras­se maior en­vol­vi­men­to afe­ti­vo. “Não me ar­re­pen­do das in­ves­ti­das. Era mais cô­mo­do me man­ter com ele, não me ima­gi­na­va sem ele e, de fato, acre­di­ta­va na sua mu­dan­ça”, co­men­ta.

Para a psi­có­lo­ga Silvana Molina, ao se ha­bi­li­ta­rem a vol­tar, os en­vol­vi­dos pre­ci­sam estar dis­pos­tos a re­no­var, a en­xer­gar di­fe­ren­ças e de­sa­cor­dos como ele­men­tos co­muns à re­la­ção. É ne­ces­sá­rio, diz a es­pe­cia­lis­ta, apren­der a lidar com as fra­gi­li­da­des que de­ses­ta­bi­li­za­ram a vida a dois e par­tir para a re­cons­tru­ção, im­buí­do da pers­pec­ti­va de mu­dan­ça. “Os par­cei­ros não devem ficar pre­sos ao pas­sa­do, mas pre­pa­ra­dos para se rein­ven­tar e lidar com as co­bran­ças so­ciais e fa­mi­lia­res por­que nem todos os co­nhe­ci­dos do casal são fa­vo­rá­veis à volta”, acres­cen­ta a psi­co­te­ra­peu­ta Mônica Caluete, para a qual con­ve­niên­cia, pra­ti­ci­da­de ou eco­no­mia de es­for­ços não devem fi­gu­rar entre as mo­ti­va­ções dos com­pa­nhei­ros em uma even­tual re­con­ci­lia­ção.

Na visão da psi­co­te­ra­peu­ta Jacqueline Meireles, o dis­tan­cia­men­to, a rup­tu­ra, mui­tas vezes, pos­si­bi­li­tam que os en­vol­vi­dos re­co­nhe­çam o peso do outro para sua vida. No en­tan­to, o amor, tão so­men­te, não sus­ten­ta a re­to­ma­da da re­la­ção. É ne­ces­sá­rio aos par­cei­ros, pon­de­ra a es­pe­cia­lis­ta, ter afi­ni­da­de, olhar jun­tos em uma mesma di­re­ção, ter com­pa­ti­bi­li­da­de em ter­mos de ­ideais, pro­je­tos de vida. No caso de se­gui­rem jun­tos, sa­lien­ta Caluete que não é bem-vinda a co­bran­ça pelo par­cei­ro com re­la­ção aos pas­sos do outro du­ran­te a fase de se­pa­ra­ção. “A rein­ci­dên­cia de ati­tu­des ou sen­ti­men­tos cau­sa­do­res das di­ver­gên­cias e afas­ta­men­to do casal ser­vem para os en­vol­vi­dos re­pen­sa­rem a de­ci­são de vol­tar”, en­cer­ra Caluete.

Dor-de-cotovelo tem cura

Dor-de-cotovelo tem cura
Publicado na Revista JC do Jornal do Comércio em 17.08.2008
Por Bruna Cabral
bruna@jc.com.br


Dor-de-cotovelo é inevitável. E não é um diagnóstico raro. Atinge homens, mulheres, garotos e garotas, independentemente de orientação sexual,classe social e histórico familiar ou médico. Tão certo quanto o grude dos primeiros meses de relacionamento, o fim é sempre desastroso: tanto para quem decide partir, quanto para quem ainda
teima em ficar. Mas é inquestionavelmente pior ser abandonado. Quando ainda resta uma esperança de que as coisas melhorem ou falta coragem para
enfrentar a solteirice e seus domingos de ócio
solitário, o famoso – e indesejado – pé na bunda
machuca demais. Tanto que ninguém nunca se
acostuma a ele.
Com direito a longas conversas ou
subitamente, sem pistas, toda despedida leva
também um pedacinho de quem não foi. “Logo que
acontece, a gente fica achando que nada mais faz
sentido, que não vai conseguir ser feliz de novo.
Parece que o outro levou tudo da gente: sossego,
auto-estima, força, vaidade...”, diz uma ex que
prefere não se identificar, para evitar remexer na
história que a duras penas conseguiu enterrar,
“junto com a vontade de morrer”, brinca. Amigos,
familiares e uma saudade sufocante, conta, foram
seus companheiros mais fiéis naquele momento.
Também não faltaram trilhas sonoras melosas,
pijamas largos, olho inchado e faltas injustificadas
ao trabalho. “Não consegui evitar os clichês”, diz
Patrícia*.
Nem precisava. Apesar de cada um ter lá
suas estratégias para enfrentar uma desilusão
amorosa, os psicólogos garantem que admitir e
encarar a perda é a melhor maneira de superá-la de
fato. “A dor não deve ser tangenciada. A gente não
tem como sair de onde não entra”, diz a
psicoterapeuta Mônica Caluete. Segundo ela, a
terapia mais usada para curar dor-de-cotovelo “por
homens e mulheres, indistintamente” é a fuga. “As
pessoas nunca foram tão incapazes de lidar com
frustrações”, diz. E fazem de tudo para não ter que
carregar o pesado pacote delas que resulta de uma
separação. “Quando alguém finge que a dor não
existe, ela não passa, cronifica. E aí vira amargura
ou doença psicossomática.”
Mas nem tudo que vem à cabeça na hora da
dor é vontade de correr. Há alguns paliativos que
são utilizados instintivamente por quem está na
fossa e podem ajudar um bocado na via-crúcis até a
luz no fim do túnel. No meio desse fogo cruzado da
razão contra a emoção, a defesa adotada quase
sempre é mudar: a rotina, a decoração de casa, o
cabelo, a silhueta e tudo mais que for possível.
“Fazer novos amigos, sair para lugares novos, tudo
pode ser benéfico, desde que traga prazer ao
indivíduo e não o coloque em situação de risco”, diz
a psicóloga Danielle Diniz.
Para garantir uma recuperação mais rápida
e menos dolorosa possível, a jornalista Isabela
Barros mudou absolutamente tudo depois da partida
repentina do companheiro de 14 anos “e meio”.
“Namoramos 12 anos, casamos, mudamos de cidade
juntos, montamos o apartamento. E, de repente,
sem nem explicar direito por que, ele foi embora”,
lembra Isabela, 30. Na verdade, já esqueceu.
“Fiquei sem entender nada. Chorei, lamentei, mas
fiz questão de não deixar que uma pessoa abalasse
meu humor, nem minha relação com todas as
outras.” Desde que se separou, Isabela diz que
nunca foi tão simpática.
Nem tão bonita. Solteira há apenas quatro
meses, ela já perdeu oito quilos, mudou a cor do
cabelo, a decoração do apartamento e garante que
está felicíssima. “Foi a melhor coisa que poderia ter
acontecido. Pra que lamentar? Mesmo a pior das
situações pode tornar-se algo positivo. Depende da
gente”, diz Isabela, que já tem várias viagens
programadas para este ano.
A médica Carla *, 29, também escolheu a
poltrona do avião para sair do baixo-astral que
tomou conta dela quando seu namorado declarou-se
ex após quatro anos de relacionamento. “Fiquei
arrasada. Chorei, liguei, fiz tudo que achava que
devia. Mas um dia me dei conta de que precisava
seguir adiante.” E foi o que fez, literalmente. Pegou
um avião com um grupo de amigas e foi parar em
Fernando de Noronha. Alugou o ouvido alheio,
divertiu-se e voltou para casa muito mais leve.
“Divido aqueles meses em A.N. (antes de Noronha)
e D.N. (depois de Noronha)”, brinca. Depois de
Fernando de Noronha, Carla foi a Pipa, Porto Alegre,
São Paulo e Buenos Aires até que finalmente se
encontrou. “Hoje acho que sou uma pessoa muito
melhor que era com ele. Não tinha amigos, vivia em
função do namoro. Acho que todo fim ensina a
começar de outro jeito.”
E não está enganada, garantem os
psicólogos. Segundo Mônica Caluete, é a forma
como as pessoas vivem o relacionamento que vai
determinar a intensidade da dor ao final. “Uma
relação é para ser protagonizada por dois. Quando
alguém se anula, sofre muito mais quando precisa
voltar a viver sozinho.” Uma lição que a médica
Juliana*, 34, precisou de quatro desilusões “graves”
para aprender. “Hoje acho que não há como se
preparar para um relacionamento. Cada um é de um
jeito. Só não dá para se encher de cicatrizes e ficar
descrente ou diferente do que somos. O outro não
pode mudar a gente pra pior.”
Mas, em alguns casos, tenta. E conduz tão
mal o fim, que inviabiliza até a fossa. Foi o que
aconteceu com a administradora de empresas
Gabriela Barreto, 22. “Namorava há quatro anos
com uma pessoa que, mesmo morando a 15
minutos da minha casa, preferiu acabar o namoro
pela internet. Nem lamentei. A raiva me motivou a
nem sofrer”, conta.
Já no caso do músico Chico Tchê, 32, foi o
contrário: o carinho que sempre sentiu e ainda sente
pela ex-mulher foi o que o ajudou a ocupar a lacuna
enorme que ela deixou em sua vida, após 15 anos
de relacionamento. “Quando a gente percebeu,
tinha virado amigo.” Aí, oficializaram a situação. E,
como bons amigos, hoje se ajudam muito a encarar
a vida de solteiro. “Tive que reaprender a viver só.”
Além de sua ex, foi o trabalho que ajudou Chico a
superar a tristeza. “Dei um duro danado. Aí sobrou
dinheiro para um computador novo.” Que ele já
sabe: vai usar para trabalhar mais ainda.J
* Nomes fictícios

terça-feira, 20 de abril de 2010

O 'show do eu' na contemporaneidade

Olá! Hoje me dirijo a vocês para falar e refletir sobre um traço que vem se proliferando na sociedade contemporânea: a individualidade.

Ao meu ver, tal fenômeno não pode ser circunscrito como mera vaidade ou um problema emocional, psicológico, ou até mesmo uma patologia que afeta a alguns. É, na verdade, uma característica da sociedade atual, que atravessa toda a nossa cultura e vem dando uma nova forma a maneira de trabalhar, amar e estar no mundo.

Já não nos regem a devoção ao dever cumprido ou mesmo o temor ao castigo; para o bem ou para o mal, estamos sendo regidos pelo respeito às buscas individuais, direito à diferença, estímulo à criatividade, flexibilidade, descrédito ao autoritarismo e o fomento ao diálogo. Esses são os prós desse fenômeno.

Agora vamos aos contras: vivemos calcados numa fantasia de êxito e beleza ilimitados, demandas de permanente admiração, obsessão pela imagem, descrédito e desvalorização do outro, dificuldade em escutar aos demais, ansiedade, exibicionismo e ausência de momentos para introspecção. Ou seja, estamos falando de uma sociedade Narcísica.

Todas(os) já devem conhecer o mito de Narciso, tão bem explorado na teoria psicanalítica. A formação da personalidade necessita, para a estruturação do eu, fortalecer o amor por si mesmo, com o objetivo de defender, fortalecer e consolidar esse eu. Isso acontece nos primeiros meses de vida e é o que vai possibilitar a constituição da personalidade, a percepção de si como uma unidade, o rudimento de uma subjetividade que irá se tornando mais complexa pouco a pouco. O calor das experiências familiares, a escolarização e incorporação de valores, da cultura.

Os problemas ocorrem quando exacerbam os mecanismos utilizados para defesa, fortalecimento e consolidação do eu. Aparecem, então, notas de uma personalidade arrogante, com fantasias de poder, êxito inesgotável, necessidade de reconhecimento, admiração, intolerância à crítica, dificuldade em ouvir e reconhecer as necessidades do outro.

A novidade nos processos sociais atuais é que a produção da subjetividade está se modificando. O ser contemporâneo cultua a originalidade, a busca do prazer, a ordem de ser feliz, belo, de divertir-se. Tudo pode. Essas ordens têm um tom de sedução, amabilidade e beleza de Narciso. Porém, não nos esqueçamos: são ordens! E pior: impossíveis de cumprir. "O tudo posso" tem um avesso obscuro que é " o nada posso".

Sabemos que um só existe em relação ao outro. Mesmo a ideia/ ordem seja vc mesmo, depende do outro!

Esse inchaço do eu, que hoje prolifera e que em outras épocas (não muito remotas), se considerava falta de elegância ou mesmo de pudor, um tipo de patologia mental, encontra guarita no ambiente altamente competitivo onde prima a eficácia e desempenho visível de cada um. Auto-exposição, saber vender-se, posicionar o eu como uma marca leva à conquista do "ser alguém".

Por menos que se procure, deparamo-nos sempre com o "show do eu". Não importa nada nem os demais. Nem mesmo a atividade que se desempenha. Ignora-se, tragicamente, que as poucas satisfações que nós humanos podemos ter dependem de tê-las com os outros. Pois as que temos solitariamente são efêmeras e tendem a se apagar com o tempo.

Parece-me que essas são as características dessa época! Sem dúvida, que as rupturas, as crises institucionais que antes davam sentido à vida social e comunitária, assim como a família tradicional, a escola, entre outros espaços, hoje cedem espaço a "individuação". E isso leva a a pessoa a tomar decisões, por seu próprio risco.

Muitas vezes, contando com a coragem e energia individuais. Reforçando a auto afirmação do indivíduo, em detrimento do bem comum. Marcando a instabilidade em todos os níveis (afetivos, educativos, econômico). Cria-se, dessa forma, uma situação em que só estão aptos os extrovertidos, autônomos, megalômanos. Enfim, pessoas convencidas de que podem tudo! Não quero dizer que no passado tudo era melhor. Mas penso ser importante prestar atenção no desenvolvimento de um narcisismo mortífero, que mata por levar a solidão da alma, por não se conseguir querer a ninguém, mais que a si mesmo. Por isso é importante juntar-se ao outro. Saber que só não se pode!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Terapeuta de grupo

Olá pessoal, desculpem a demora em atualizar os artigos, mas fiquei esses últimos meses envolvida com trabalhos, divulgação de eventos e cursos de Psicodrama.

Mas estou de volta!

São muitos os assuntos relativos ao Psicodrama que quero dividir. Entretanto, hoje , me sinto particularmente incitada a falar sobre ser terapeuta de grupo: sócio terapeuta ou Psico terapeuta, tanto faz!

O importante aqui é saber se comportar como terapeuta, que longe de ser alguém neutro, resguardado pelo mistério sobre si, distante afetivamente e imparcial acima de todas as coisas, deve ser alguém que está disposto e apto a acompanhar o grupo.

Digo disposto, por entender que ,"ser aquele que acompanha", exige uma prontidão que nos faz ter que abrir mão de um aparente poder, que não raro, se apesenta por exemplo, pelo uso da palavra: Por interpetrações ou imposições sobre o comportar-se do grupo. Ou ainda pela tentadora tendência à personalização do trabalho, fruto, muitas vezes de egos inflados.

Entendo por prontidão, nesse caso, a imprescindível necessidade de rigorosa formação teórica e vivencia sobre fenômenos e questões de grupo, aliada à formação da abordagem escolhida para instrumentar o trabalho terapêutico.

O que quero dizer é que ser terapeuta de grupo pede uma posição ética e coerente com a escolha, ou seja, é preciso estudar sim, sempre e muito. É preciso está identificado com o método de trabalho que se utiliza, mas é preciso viver experiências terapêuticas de grupo.

A confiança nos grupos e na força que ele possui é indispensável para o atuar terapêutico. O fato de ter experimentado o processo de grupo nos dá a clareza e certeza sobre o método e a força dos grupos.

É preciso ver tratado os nossos conflitos dentro de um contexto de terapia de grupo e não apenas em grupo.

A experiência sensorial, o aventurar-se na busca da compreensão de si e do outro, a relação interpessoal e autêntica, unido a força visceral, a intensidade dos fatos em grupo e a ação curadora que eles têm sobre os indivíduos são mais um desses"milagres" da condição humana para cura.

Experimentem!!!!!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Psicodrama na Fafire

Oi, gente,
há tempos não passo por aqui...
São muitas coisas acontecendo e, entre elas, está a sessão aberta de Psicodrama Social que conduzirei nesta quinta-feira (17.09), no auditório da Fafire. O encontro, aberto ao público, visa informar sobre as diversas áreas profissionais de aplicação do psicodrama. Ocorre das 18h30 às 20h30. O endereço é Av. Conde da Boa Vista, 921, Boa Vista.

Pós-graduação - Em outubro, também na Fafire, vou coordenar e lecionar no curso de especialização em Psicodrama. As inscrições já estão abertas. As aulas são dirigidas para psicólogos, médicos, professores, sociólogos ou qualquer outro profissional que trabalhe com coordenação de grupos.
O investimento é de R$ 40 (taxa de inscrição) + 16 parcelas de R$ 245. A duração é de um ano e quatro meses.
Mais informações: 2122.3500 (Fafire).