Olá! Hoje me dirijo a vocês para falar e refletir sobre um traço que vem se proliferando na sociedade contemporânea: a individualidade.
Ao meu ver, tal fenômeno não pode ser circunscrito como mera vaidade ou um problema emocional, psicológico, ou até mesmo uma patologia que afeta a alguns. É, na verdade, uma característica da sociedade atual, que atravessa toda a nossa cultura e vem dando uma nova forma a maneira de trabalhar, amar e estar no mundo.
Já não nos regem a devoção ao dever cumprido ou mesmo o temor ao castigo; para o bem ou para o mal, estamos sendo regidos pelo respeito às buscas individuais, direito à diferença, estímulo à criatividade, flexibilidade, descrédito ao autoritarismo e o fomento ao diálogo. Esses são os prós desse fenômeno.
Agora vamos aos contras: vivemos calcados numa fantasia de êxito e beleza ilimitados, demandas de permanente admiração, obsessão pela imagem, descrédito e desvalorização do outro, dificuldade em escutar aos demais, ansiedade, exibicionismo e ausência de momentos para introspecção. Ou seja, estamos falando de uma sociedade Narcísica.
Todas(os) já devem conhecer o mito de Narciso, tão bem explorado na teoria psicanalítica. A formação da personalidade necessita, para a estruturação do eu, fortalecer o amor por si mesmo, com o objetivo de defender, fortalecer e consolidar esse eu. Isso acontece nos primeiros meses de vida e é o que vai possibilitar a constituição da personalidade, a percepção de si como uma unidade, o rudimento de uma subjetividade que irá se tornando mais complexa pouco a pouco. O calor das experiências familiares, a escolarização e incorporação de valores, da cultura.
Os problemas ocorrem quando exacerbam os mecanismos utilizados para defesa, fortalecimento e consolidação do eu. Aparecem, então, notas de uma personalidade arrogante, com fantasias de poder, êxito inesgotável, necessidade de reconhecimento, admiração, intolerância à crítica, dificuldade em ouvir e reconhecer as necessidades do outro.
A novidade nos processos sociais atuais é que a produção da subjetividade está se modificando. O ser contemporâneo cultua a originalidade, a busca do prazer, a ordem de ser feliz, belo, de divertir-se. Tudo pode. Essas ordens têm um tom de sedução, amabilidade e beleza de Narciso. Porém, não nos esqueçamos: são ordens! E pior: impossíveis de cumprir. "O tudo posso" tem um avesso obscuro que é " o nada posso".
Sabemos que um só existe em relação ao outro. Mesmo a ideia/ ordem seja vc mesmo, depende do outro!
Esse inchaço do eu, que hoje prolifera e que em outras épocas (não muito remotas), se considerava falta de elegância ou mesmo de pudor, um tipo de patologia mental, encontra guarita no ambiente altamente competitivo onde prima a eficácia e desempenho visível de cada um. Auto-exposição, saber vender-se, posicionar o eu como uma marca leva à conquista do "ser alguém".
Por menos que se procure, deparamo-nos sempre com o "show do eu". Não importa nada nem os demais. Nem mesmo a atividade que se desempenha. Ignora-se, tragicamente, que as poucas satisfações que nós humanos podemos ter dependem de tê-las com os outros. Pois as que temos solitariamente são efêmeras e tendem a se apagar com o tempo.
Parece-me que essas são as características dessa época! Sem dúvida, que as rupturas, as crises institucionais que antes davam sentido à vida social e comunitária, assim como a família tradicional, a escola, entre outros espaços, hoje cedem espaço a "individuação". E isso leva a a pessoa a tomar decisões, por seu próprio risco.
Muitas vezes, contando com a coragem e energia individuais. Reforçando a auto afirmação do indivíduo, em detrimento do bem comum. Marcando a instabilidade em todos os níveis (afetivos, educativos, econômico). Cria-se, dessa forma, uma situação em que só estão aptos os extrovertidos, autônomos, megalômanos. Enfim, pessoas convencidas de que podem tudo! Não quero dizer que no passado tudo era melhor. Mas penso ser importante prestar atenção no desenvolvimento de um narcisismo mortífero, que mata por levar a solidão da alma, por não se conseguir querer a ninguém, mais que a si mesmo. Por isso é importante juntar-se ao outro. Saber que só não se pode!
terça-feira, 20 de abril de 2010
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Terapeuta de grupo
Olá pessoal, desculpem a demora em atualizar os artigos, mas fiquei esses últimos meses envolvida com trabalhos, divulgação de eventos e cursos de Psicodrama.
Mas estou de volta!
São muitos os assuntos relativos ao Psicodrama que quero dividir. Entretanto, hoje , me sinto particularmente incitada a falar sobre ser terapeuta de grupo: sócio terapeuta ou Psico terapeuta, tanto faz!
O importante aqui é saber se comportar como terapeuta, que longe de ser alguém neutro, resguardado pelo mistério sobre si, distante afetivamente e imparcial acima de todas as coisas, deve ser alguém que está disposto e apto a acompanhar o grupo.
Digo disposto, por entender que ,"ser aquele que acompanha", exige uma prontidão que nos faz ter que abrir mão de um aparente poder, que não raro, se apesenta por exemplo, pelo uso da palavra: Por interpetrações ou imposições sobre o comportar-se do grupo. Ou ainda pela tentadora tendência à personalização do trabalho, fruto, muitas vezes de egos inflados.
Entendo por prontidão, nesse caso, a imprescindível necessidade de rigorosa formação teórica e vivencia sobre fenômenos e questões de grupo, aliada à formação da abordagem escolhida para instrumentar o trabalho terapêutico.
O que quero dizer é que ser terapeuta de grupo pede uma posição ética e coerente com a escolha, ou seja, é preciso estudar sim, sempre e muito. É preciso está identificado com o método de trabalho que se utiliza, mas é preciso viver experiências terapêuticas de grupo.
A confiança nos grupos e na força que ele possui é indispensável para o atuar terapêutico. O fato de ter experimentado o processo de grupo nos dá a clareza e certeza sobre o método e a força dos grupos.
É preciso ver tratado os nossos conflitos dentro de um contexto de terapia de grupo e não apenas em grupo.
A experiência sensorial, o aventurar-se na busca da compreensão de si e do outro, a relação interpessoal e autêntica, unido a força visceral, a intensidade dos fatos em grupo e a ação curadora que eles têm sobre os indivíduos são mais um desses"milagres" da condição humana para cura.
Experimentem!!!!!
Mas estou de volta!
São muitos os assuntos relativos ao Psicodrama que quero dividir. Entretanto, hoje , me sinto particularmente incitada a falar sobre ser terapeuta de grupo: sócio terapeuta ou Psico terapeuta, tanto faz!
O importante aqui é saber se comportar como terapeuta, que longe de ser alguém neutro, resguardado pelo mistério sobre si, distante afetivamente e imparcial acima de todas as coisas, deve ser alguém que está disposto e apto a acompanhar o grupo.
Digo disposto, por entender que ,"ser aquele que acompanha", exige uma prontidão que nos faz ter que abrir mão de um aparente poder, que não raro, se apesenta por exemplo, pelo uso da palavra: Por interpetrações ou imposições sobre o comportar-se do grupo. Ou ainda pela tentadora tendência à personalização do trabalho, fruto, muitas vezes de egos inflados.
Entendo por prontidão, nesse caso, a imprescindível necessidade de rigorosa formação teórica e vivencia sobre fenômenos e questões de grupo, aliada à formação da abordagem escolhida para instrumentar o trabalho terapêutico.
O que quero dizer é que ser terapeuta de grupo pede uma posição ética e coerente com a escolha, ou seja, é preciso estudar sim, sempre e muito. É preciso está identificado com o método de trabalho que se utiliza, mas é preciso viver experiências terapêuticas de grupo.
A confiança nos grupos e na força que ele possui é indispensável para o atuar terapêutico. O fato de ter experimentado o processo de grupo nos dá a clareza e certeza sobre o método e a força dos grupos.
É preciso ver tratado os nossos conflitos dentro de um contexto de terapia de grupo e não apenas em grupo.
A experiência sensorial, o aventurar-se na busca da compreensão de si e do outro, a relação interpessoal e autêntica, unido a força visceral, a intensidade dos fatos em grupo e a ação curadora que eles têm sobre os indivíduos são mais um desses"milagres" da condição humana para cura.
Experimentem!!!!!
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Psicodrama na Fafire
Oi, gente,
há tempos não passo por aqui...
São muitas coisas acontecendo e, entre elas, está a sessão aberta de Psicodrama Social que conduzirei nesta quinta-feira (17.09), no auditório da Fafire. O encontro, aberto ao público, visa informar sobre as diversas áreas profissionais de aplicação do psicodrama. Ocorre das 18h30 às 20h30. O endereço é Av. Conde da Boa Vista, 921, Boa Vista.
Pós-graduação - Em outubro, também na Fafire, vou coordenar e lecionar no curso de especialização em Psicodrama. As inscrições já estão abertas. As aulas são dirigidas para psicólogos, médicos, professores, sociólogos ou qualquer outro profissional que trabalhe com coordenação de grupos.
O investimento é de R$ 40 (taxa de inscrição) + 16 parcelas de R$ 245. A duração é de um ano e quatro meses.
Mais informações: 2122.3500 (Fafire).
há tempos não passo por aqui...
São muitas coisas acontecendo e, entre elas, está a sessão aberta de Psicodrama Social que conduzirei nesta quinta-feira (17.09), no auditório da Fafire. O encontro, aberto ao público, visa informar sobre as diversas áreas profissionais de aplicação do psicodrama. Ocorre das 18h30 às 20h30. O endereço é Av. Conde da Boa Vista, 921, Boa Vista.
Pós-graduação - Em outubro, também na Fafire, vou coordenar e lecionar no curso de especialização em Psicodrama. As inscrições já estão abertas. As aulas são dirigidas para psicólogos, médicos, professores, sociólogos ou qualquer outro profissional que trabalhe com coordenação de grupos.
O investimento é de R$ 40 (taxa de inscrição) + 16 parcelas de R$ 245. A duração é de um ano e quatro meses.
Mais informações: 2122.3500 (Fafire).
terça-feira, 7 de julho de 2009
O que é psicodrama? - o básico
.
Venho recebendo feedback sobre os artigos postado nesse blog. O problema é que algumas pessoas que acessam, dizem sentir falta de um esclarecimento prévio. "O que é psicodrama? Gostaria de saber maissobre o ‘básico’".
Bem, quando tal desafio me é lançado, penso que para dar conta teria que escrever capítulos seriados! Pode ser uma ideia...
Mas vou tentar fazer um resumo da estrutura, fundamentos e áreas de atuação.
Antes, porém, vamos esclarecer que psicodrama é uma das vertentes cuja nomenclatura se popularizou, de uma ciência maior e mais abrangente: SOCIONOMIA.
Etimologicamente, a palavra de origem latina significa o estudo das leis que regem o comportamento grupal e social.
Jacob Levy Moreno, criador da teoria socionômica, estruturou-a em três grandes áreas: 1- Sócio dinâmica; 2- Sociometria; 3- Sociatria.
Sociodinâmica: Estuda o funcionamento das relações grupais(Socius-Grupo/Dinâmica-Funcionamento).
Sociometria: Mede, quantitativa e qualitativamente as relações interpessoais (Socius-Grupo/Metria-Medição)
Sociatria: É o tratamento das relações sociais (Socius-Grupo/Atria-Terapêutica).
Ainda dentro desse item, temos os métodos que servem a cada uma dessas áreas: Sócio dinâmica: Método-Role-Playing,ou jogo de papéis; Sociometria: Método-Teste socimetrico; e Sociatría: Método-Psicoterapia de grupo,sociodrama e psicodrama.
Os métodos socionômicos possuem seu conjunto de técnicas específicas e objetivos claros.
O Role-Playing utiliza técnicas de dramatização, espelho, solilóquio etc. Objetiva a melhoria do desempenho dos papéis que jogamos na vida.E que, às vezes, não estão adequados, bem desenvolvidos, assumidos ou criativos.
A má interação dos papéis nas relações interpessoais muitas vezes traz como resultado conflitos e sofrimentos que podem perfeitamente estar relacionado a algumas das falhas no desempenho dos papéis sociais, familiares, psicodramáticos ou psicossomáticos.
Porém, às vezes, o problema surge pela falta de clareza quanto à qualidade dos vínculos e número de eleições que cada pessoa faz ou é submetida nos grupos. Nesses casos, o teste sociométrico, lançando mão de técnicas como questionário, entrevistas, sociograma, confrontos etc, nos evidencia o mapa relacional de um grupo, qualificando e quantificando as relações de cada indivíduo em relação ao grupo e do grupo em relação a cada indivíduo.
Por fim, a sociatria, que utilizando-se dos métodos clínicos (psicoterapia de grupo, psicodrama e sociais: sociodrama) vem auxiliada por um infinidade de técnicas. Prioriza o tratamento das relações interpessoais inseridas na dinâmica grupal, cuidando do indivíduo e do grupo através da ação dramática.
Deixarei aqui nomeado os fundamentos da socionomia, ou como
ficou referido e assimilado na prática, psicodrama.
São fundamentos do psicodrama:
Teoria de papéis; Espontaneidade; Tele; Matriz de identidade; Conserva cultural; Co-inconsciente; Teoria do momento; Catarse de integração etc.
Em outra oportunidade farei considerações a cada um desses itens (olha a idéia dos capítulos seriados....)
Finalmente chegamos as áreas de atuação, possibilidades de aplicação da Socionomia/Psicodrama:
Na prática, quem trabalha na área clínica, com psicoterapia, poderá utilizar-se de todos os métodos e técnicas que estiverem ao seu dispor.Visto que a demanda e o campo de atuação nesse caminho é muito diversificado e eclético.
No setor de educação atuamos com propósito de melhorar e corrigir o processo de ensino-apendizagem. Treinando papéis ou aparando arestas que surgem no funcionamento inter e intra grupal.
No serviço público, sobretudo no atendimento à população, o sociodrama costuma apresentar-se como ferramenta preciosa para a consecução dos objetivos.
Na mediação e intervenção das questões familiares ou de casais.
Nas estruturas organizacionais, institucionais, o Role-Playing, o teste sociométrico e o sociodrama atendem a 100% das necessidades, fenômenos até hoje diagnosticados.
Para terminar ,acho que seria coerente afirmar que, onde existir grupo, relação, afeto, emoção e sensação podemos dizer que existe um campo de atuação para o psicodrama /psicodramatista.
Venho recebendo feedback sobre os artigos postado nesse blog. O problema é que algumas pessoas que acessam, dizem sentir falta de um esclarecimento prévio. "O que é psicodrama? Gostaria de saber maissobre o ‘básico’".
Bem, quando tal desafio me é lançado, penso que para dar conta teria que escrever capítulos seriados! Pode ser uma ideia...
Mas vou tentar fazer um resumo da estrutura, fundamentos e áreas de atuação.
Antes, porém, vamos esclarecer que psicodrama é uma das vertentes cuja nomenclatura se popularizou, de uma ciência maior e mais abrangente: SOCIONOMIA.
Etimologicamente, a palavra de origem latina significa o estudo das leis que regem o comportamento grupal e social.
Jacob Levy Moreno, criador da teoria socionômica, estruturou-a em três grandes áreas: 1- Sócio dinâmica; 2- Sociometria; 3- Sociatria.
Sociodinâmica: Estuda o funcionamento das relações grupais(Socius-Grupo/Dinâmica-Funcionamento).
Sociometria: Mede, quantitativa e qualitativamente as relações interpessoais (Socius-Grupo/Metria-Medição)
Sociatria: É o tratamento das relações sociais (Socius-Grupo/Atria-Terapêutica).
Ainda dentro desse item, temos os métodos que servem a cada uma dessas áreas: Sócio dinâmica: Método-Role-Playing,ou jogo de papéis; Sociometria: Método-Teste socimetrico; e Sociatría: Método-Psicoterapia de grupo,sociodrama e psicodrama.
Os métodos socionômicos possuem seu conjunto de técnicas específicas e objetivos claros.
O Role-Playing utiliza técnicas de dramatização, espelho, solilóquio etc. Objetiva a melhoria do desempenho dos papéis que jogamos na vida.E que, às vezes, não estão adequados, bem desenvolvidos, assumidos ou criativos.
A má interação dos papéis nas relações interpessoais muitas vezes traz como resultado conflitos e sofrimentos que podem perfeitamente estar relacionado a algumas das falhas no desempenho dos papéis sociais, familiares, psicodramáticos ou psicossomáticos.
Porém, às vezes, o problema surge pela falta de clareza quanto à qualidade dos vínculos e número de eleições que cada pessoa faz ou é submetida nos grupos. Nesses casos, o teste sociométrico, lançando mão de técnicas como questionário, entrevistas, sociograma, confrontos etc, nos evidencia o mapa relacional de um grupo, qualificando e quantificando as relações de cada indivíduo em relação ao grupo e do grupo em relação a cada indivíduo.
Por fim, a sociatria, que utilizando-se dos métodos clínicos (psicoterapia de grupo, psicodrama e sociais: sociodrama) vem auxiliada por um infinidade de técnicas. Prioriza o tratamento das relações interpessoais inseridas na dinâmica grupal, cuidando do indivíduo e do grupo através da ação dramática.
Deixarei aqui nomeado os fundamentos da socionomia, ou como
ficou referido e assimilado na prática, psicodrama.
São fundamentos do psicodrama:
Teoria de papéis; Espontaneidade; Tele; Matriz de identidade; Conserva cultural; Co-inconsciente; Teoria do momento; Catarse de integração etc.
Em outra oportunidade farei considerações a cada um desses itens (olha a idéia dos capítulos seriados....)
Finalmente chegamos as áreas de atuação, possibilidades de aplicação da Socionomia/Psicodrama:
Na prática, quem trabalha na área clínica, com psicoterapia, poderá utilizar-se de todos os métodos e técnicas que estiverem ao seu dispor.Visto que a demanda e o campo de atuação nesse caminho é muito diversificado e eclético.
No setor de educação atuamos com propósito de melhorar e corrigir o processo de ensino-apendizagem. Treinando papéis ou aparando arestas que surgem no funcionamento inter e intra grupal.
No serviço público, sobretudo no atendimento à população, o sociodrama costuma apresentar-se como ferramenta preciosa para a consecução dos objetivos.
Na mediação e intervenção das questões familiares ou de casais.
Nas estruturas organizacionais, institucionais, o Role-Playing, o teste sociométrico e o sociodrama atendem a 100% das necessidades, fenômenos até hoje diagnosticados.
Para terminar ,acho que seria coerente afirmar que, onde existir grupo, relação, afeto, emoção e sensação podemos dizer que existe um campo de atuação para o psicodrama /psicodramatista.
domingo, 10 de maio de 2009
Psicodrama: o futuro é hoje
.
Quando no final do século passado participei de um congresso internacional , que reuniu todas as formas de terapias e psicoterapias existentes no planeta, fiquei muito contente ao ver no segundo dia de atividades, a seguinte frase num painel eletrônico que servia ao evento:
“PSICODRAMA: A PSICOTERAPIA DO FUTURO"
Lembro que naqueles anos, todos estavam no clima de se preparar para o novo século, a nova era. O emblemático seculo 21!
Sentia-se, que mesmo sem ter havido ainda o advento do 11/09/2001, precisava-se começar a construir novos paradigmas, novas formas de compreender o mundo e as relações.
Mesmo as explicações e diagnósticos começavam a não mais atender aos novos fenômenos e necessidades socio-psico-emocionais. Eis que nesse encontro (o primeiro do gênero), além das difundidas práticas psicoterapêuticas, teve espaço o psicodrama.
As apresentações dos trabalhos teóricos relativos a abordagem tiveram uma plateia, em numero de participantes, apenas razoável. E o impacto provocado, pode ser considerado medíocre. Parecia que o projeto socionomico, criado por Jacob Levy Moreno, ainda não tinha continente para se expressar, ser compreendido.Ou então , a falta de referência a termos e conceitos popularizados, como Projeção, Complexo de Édipo e Complexo de castração, tiravam a credibilidade e a confiança na seriedade e eficácia do método psicodramático.
Até que, nas atividades previstas para o período da tarde, um sociodrama, dirigido por terapeutas e psicoterapeutas, psicodramatistas dos EUA, atraiu um número significativo de pessoas. Não sei se o fenômeno se deveu a curiosidade , ou se o fato de ser "vivência",tratava-se de uma boa atividade para espantar o sono pós almoço....
Mas, a verdade é que o auditório ficou lotado.
A equipe terapêutica iniciou com um trabalho de aquecimento inespecífico com o grupo, objetivando o surgimento do tema protagônico. E ele surgiu: É possível trabalhar com psicopatas, até mesmo os institucionalizados?
Nesse momento, os presentes que compartilhavam a mesma identidade profissional, os psicodramatistas, se olhavam com um misto de satisfação e orgulho. Pois para a maioria das pessoas presentes, não havia saída. "Sem super-ego não se pode fazer nada", pensavam. “O psicopata é alguém visto como inviável para o tratamento psicoterapeutico”.
O diretor, juntamente com o grupo, começou a se ocupar do aquecimento especifico. O grupo foi elencando com a ajuda dos egos-auxiliares, as falas e opinião sobre o tema. Foi então, que se deu início a construção de cenas que haviam sido arquitetadas pelo grupo.
Ao colocar o corpo em cena, pode-se observar as formas corporais. Elas nos falavam mais que as palavras. E de posse dessas novas informações, os "atores-protagonistas”, puderam , através de insights dramáticos, terem uma nova forma de responder às antigas situações. Perceberam que além da psicopatia, existia uma pessoa e portanto a chance de se formar vínculos.
Também foi possível experimentar que o sentir desses pacientes, embora inacessível, existia. E que as possibilidades de acessá-lo e despertá-lo também pode ser um caminho.
Claro que não se transforma a tipologia ou patologia de alguém em outra. Mas podemos ajudá-las a criar mecanismos reparatórios e instrumentos de ação, capazes de minimizar os danos gerados pelo paciente sobre si próprio ou sobre os que estão na sua "mira".
Após encerrada a dramatização, fomos estimulados a fazer comentários e análises. Aí então, vi, senti e vivi o impacto da força do trabalho e resgate dos conteúdos teóricos. Desta vez, diferente da apresentação teórica, com empolgação e entusiasmo. Na curiosidade, podia-se perceber a confiança; nas polêmicas, a resposta concreta do ato.
Foi maravilhoso compartilhar esse momento e saber que estava muito perto do futuro.
Hoje, já estamos nele e se você ainda não teve oportunidade de experimentá-lo, procure se abrir para mais essa experiência.Tenho certeza que vai ser enriquecedor.
Quando no final do século passado participei de um congresso internacional , que reuniu todas as formas de terapias e psicoterapias existentes no planeta, fiquei muito contente ao ver no segundo dia de atividades, a seguinte frase num painel eletrônico que servia ao evento:
“PSICODRAMA: A PSICOTERAPIA DO FUTURO"
Lembro que naqueles anos, todos estavam no clima de se preparar para o novo século, a nova era. O emblemático seculo 21!
Sentia-se, que mesmo sem ter havido ainda o advento do 11/09/2001, precisava-se começar a construir novos paradigmas, novas formas de compreender o mundo e as relações.
Mesmo as explicações e diagnósticos começavam a não mais atender aos novos fenômenos e necessidades socio-psico-emocionais. Eis que nesse encontro (o primeiro do gênero), além das difundidas práticas psicoterapêuticas, teve espaço o psicodrama.
As apresentações dos trabalhos teóricos relativos a abordagem tiveram uma plateia, em numero de participantes, apenas razoável. E o impacto provocado, pode ser considerado medíocre. Parecia que o projeto socionomico, criado por Jacob Levy Moreno, ainda não tinha continente para se expressar, ser compreendido.Ou então , a falta de referência a termos e conceitos popularizados, como Projeção, Complexo de Édipo e Complexo de castração, tiravam a credibilidade e a confiança na seriedade e eficácia do método psicodramático.
Até que, nas atividades previstas para o período da tarde, um sociodrama, dirigido por terapeutas e psicoterapeutas, psicodramatistas dos EUA, atraiu um número significativo de pessoas. Não sei se o fenômeno se deveu a curiosidade , ou se o fato de ser "vivência",tratava-se de uma boa atividade para espantar o sono pós almoço....
Mas, a verdade é que o auditório ficou lotado.
A equipe terapêutica iniciou com um trabalho de aquecimento inespecífico com o grupo, objetivando o surgimento do tema protagônico. E ele surgiu: É possível trabalhar com psicopatas, até mesmo os institucionalizados?
Nesse momento, os presentes que compartilhavam a mesma identidade profissional, os psicodramatistas, se olhavam com um misto de satisfação e orgulho. Pois para a maioria das pessoas presentes, não havia saída. "Sem super-ego não se pode fazer nada", pensavam. “O psicopata é alguém visto como inviável para o tratamento psicoterapeutico”.
O diretor, juntamente com o grupo, começou a se ocupar do aquecimento especifico. O grupo foi elencando com a ajuda dos egos-auxiliares, as falas e opinião sobre o tema. Foi então, que se deu início a construção de cenas que haviam sido arquitetadas pelo grupo.
Ao colocar o corpo em cena, pode-se observar as formas corporais. Elas nos falavam mais que as palavras. E de posse dessas novas informações, os "atores-protagonistas”, puderam , através de insights dramáticos, terem uma nova forma de responder às antigas situações. Perceberam que além da psicopatia, existia uma pessoa e portanto a chance de se formar vínculos.
Também foi possível experimentar que o sentir desses pacientes, embora inacessível, existia. E que as possibilidades de acessá-lo e despertá-lo também pode ser um caminho.
Claro que não se transforma a tipologia ou patologia de alguém em outra. Mas podemos ajudá-las a criar mecanismos reparatórios e instrumentos de ação, capazes de minimizar os danos gerados pelo paciente sobre si próprio ou sobre os que estão na sua "mira".
Após encerrada a dramatização, fomos estimulados a fazer comentários e análises. Aí então, vi, senti e vivi o impacto da força do trabalho e resgate dos conteúdos teóricos. Desta vez, diferente da apresentação teórica, com empolgação e entusiasmo. Na curiosidade, podia-se perceber a confiança; nas polêmicas, a resposta concreta do ato.
Foi maravilhoso compartilhar esse momento e saber que estava muito perto do futuro.
Hoje, já estamos nele e se você ainda não teve oportunidade de experimentá-lo, procure se abrir para mais essa experiência.Tenho certeza que vai ser enriquecedor.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Psicodrama: o ato diante da existência
.
Gostaria de compartilhar meu entusiasmo sobre o tema, não porque encontrei minha tribo, ou o seio que me acolhe, ou mesmo uma fórmula mágica para o trabalho. Mas em verdade, há 22 anos me encontro entusiasmada por ter descoberto uma abordagem que me permite trabalhar identificada com ideologia e metodologia, voltadas para o trabalho com grupos, com uma prática que privilegia a ação, pois o ato antecede a fala.
Posso trabalhar com instrumentos artísticos e estéticos que facilitam, e muito, a expressão e comunicação dos sentimentos. Primamos por relações verdadeiras e diretas, entendendo que a relação é composta por pessoas, portanto, seres da mesma espécie o que propicia, na horizontalidade das relações,o encontro com o outro e consigo mesmo. Jamais esquecendo,que a nossa divindade reside em sermos seres criativos e portanto,as possibilidades de resolução,para quem as quer, passam a ser infindáveis.
Dessa maneira, posso me colocar em relação aos grupos e as pessoas que os constituem como facilitadora, mas sem esquecer ou sufocar minha individualidade/subjetividade. Afinal, elas também compõem os instrumentos constitutivos da relação.
Viver Psicodrama é estar em atitude de protagonismo diante da vida.
É não se privar do privilegio de viver o momento.
É se preparar para exercer o dom da criação com responsabilidade e adequação.
É entender que desempenhamos papéis sociais , psicossomáticos e psicodramáticos .
É o vínculo, resultado das interações entre papel e contra-papel. Que nos liga e que mostra a qualidade das nossas relações, para que possamos, sempre em sintonia com o mundo, melhorar mais a nossa capacidade amorosa, criativa, adaptativa e verdadeira diante da existência.
Gostaria de compartilhar meu entusiasmo sobre o tema, não porque encontrei minha tribo, ou o seio que me acolhe, ou mesmo uma fórmula mágica para o trabalho. Mas em verdade, há 22 anos me encontro entusiasmada por ter descoberto uma abordagem que me permite trabalhar identificada com ideologia e metodologia, voltadas para o trabalho com grupos, com uma prática que privilegia a ação, pois o ato antecede a fala.
Posso trabalhar com instrumentos artísticos e estéticos que facilitam, e muito, a expressão e comunicação dos sentimentos. Primamos por relações verdadeiras e diretas, entendendo que a relação é composta por pessoas, portanto, seres da mesma espécie o que propicia, na horizontalidade das relações,o encontro com o outro e consigo mesmo. Jamais esquecendo,que a nossa divindade reside em sermos seres criativos e portanto,as possibilidades de resolução,para quem as quer, passam a ser infindáveis.
Dessa maneira, posso me colocar em relação aos grupos e as pessoas que os constituem como facilitadora, mas sem esquecer ou sufocar minha individualidade/subjetividade. Afinal, elas também compõem os instrumentos constitutivos da relação.
Viver Psicodrama é estar em atitude de protagonismo diante da vida.
É não se privar do privilegio de viver o momento.
É se preparar para exercer o dom da criação com responsabilidade e adequação.
É entender que desempenhamos papéis sociais , psicossomáticos e psicodramáticos .
É o vínculo, resultado das interações entre papel e contra-papel. Que nos liga e que mostra a qualidade das nossas relações, para que possamos, sempre em sintonia com o mundo, melhorar mais a nossa capacidade amorosa, criativa, adaptativa e verdadeira diante da existência.
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